Líbero Serginho pode se tornar maior medalhista do vôlei nas Olimpíadas

 
vôlei serginho brasil (Foto: Alexandre Arruda / CBV)

Líder da seleção brasileira masculina de vôlei em quadra e homem de confiança de Bernardinho, Serginho é nome praticamente certo na lista do treinador para a disputa dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Após anunciar sua despedida nas Olimpíadas de Londres, em 2012, o líbero seguiu atuando em alto nível no Sesi e, devido aos problemas da equipe na recepção e no passe, foi convencido no início de 2015 a voltar à seleção. 

Animado com a possibilidade de conquistar uma medalha olímpica em seu país e diante de sua torcida, Serginho vislumbra também entrar na galeria dos maiores medalhistas dos Jogos em sua modalidade.

Assim como os ponteiros Dante e Giba e o meio de rede Rodrigão, o líbero subiu três vezes ao pódio olímpico: foi ouro em Atenas 2004 e prata em Pequim 2008 e Londres 2012. Porém, como seus companheiros já deixaram a seleção, ele pode se tornar o único brasileiro com quatro medalhas.

Caso alcance essa marca, Serginho igualará outros quatro atletas na lista dos maiores medalhistas do vôlei na história dos Jogos Olímpicos: o italiano Papi, o russo Tetyukhin, a cubana Fernández Valle e a soviética Ryskal.

Serginho jogará a primeira vez em Alagoas

Bernadinho e jogadores da seleção brasileira de vôlei estiveram em uma sessão de autógrafos em shopping de Maceió (Foto: Jota Rufino / GloboEsporte.com)

O líbero Serginho jogará pela primeira vez em Maceió. Falou sobre a oportunidade de estar na capital alagoana e espera casa cheia nos jogos da seleção brasileira.

- Eu estou muito feliz. Nunca joguei aqui em Maceió. A seleção brasileira também é muito difícil de vir aqui, a gente sempre joga no Rio ou em São Paulo, Belo Horizonte. E é uma oportunidade de estar perto do público. É uma honra muito grande estar aqui, sei que a casa vai estar cheia, então quero me divertir bastante, trocar esse carinho com a torcida alagoana, porque é uma oportunidade deles e nossa também de poder estar aqui.

Bernardinho lamenta baixas, reclama de veto e enaltece Sul-Americano

 

O veto da Federação Sul-Americana, via Federação Internacional, à participação da seleção brasileira na Copa do Mundo do Japão ainda está entalado na garganta de Bernardinho. Certo de que a decisão foi muito mais política do que apenas esportiva, o treinador, que classificou a ausência do Brasil como absurda, quer recuperar o tempo perdido e usar o Campeonato Sul-Americano de Maceió para testar uma nova formação e dar responsabilidade aos atletas mais jovens. A seleção estreia na competição na quarta-feira, contra o Peru, às 19h, no ginásio do Sesi.

Treino seleção brasileira vôlei maceió sul-americano - bernardinho (Foto: Marcello Pires)

Mesmo com várias baixas no elenco e uma equipe completamente modificada, Bernardinho destaca a importância de manter a hegemonia na América do Sul. Se para a maioria das pessoas a competição não é levada a sério, para o treinador da seleção o Sul-Americano é um torneio oficial e com um grau de dificuldade alto, principalmente devido às circunstâncias.

- Não tem importância? É uma competição oficial e que encerra o ano. Nós estamos lutando para manter a hegemonia na América do Sul, e não será uma tarefa fácil. Estamos no final da temporada e com uma série de desfalques, como do Murilo e do Lipe, que são peças importantes no grupo e vão fazer muita falta. É um momento importante, com um grupo diferente. O Otávio eu nem sei porque perdi, mas não vou ficar brigando com todo mundo. Mas foi estranho, isso é fato. Já o Murilo chegou bem, malhou pela manhã, fez um treino à tarde e em com menos de uma hora de trabalho sentiu a panturrilha e deu uma endurecida na musculatura. Ele parou e saiu. Fico triste obviamente pela lesão, mas principalmente porque ele estava se sentindo bem, tão leve e feliz. Não foi nada muito sério, mas após o exame feito no domingo à noite não teria sentido nenhum correr o risco – afirmou o técnico da seleção.

Além dos desfalques citados, Bernardinho também não poderá contar com o Maurício Borges, que fraturou o quinto metatarso durante os treinamentos em Saquarema, e do central Otávio, que sentiu uma tendinite na partida contra o Sesi, sexta-feira passada, e ficou em São Paulo.

Mas em vez de lamentar as ausências, o treinador prefere destacar alguns jogadores que terão a primeira oportunidade de começar uma competição como titulares. Com exceção do levantador Bruninho, do central Lucão e do líbero Serginho, remanescentes do time vice-campeão olímpico em Londres, jogadores como Isac, Lucas Loh, Evandro, Renan e o próprio Lucarelli terão a chance de assumir a responsabilidade de carregar a seleção.  

- A importância dessa competição é que vamos com um grupo totalmente mudado.  Tudo isso é importante para nós. É hora de demonstrar maturidade, entender a importância do momento e fazer o que tem que ser feito, que é manter a hegemonia aqui – destacou o comandante brasileiro.  

Antes de deixar o ginásio do Sesi, Bernardinho voltou a criticar a decisão das Federações Sul-Americanas e Internacional e lamentou o pouco caso que a maioria das pessoas demonstrou com o veto à participação do Brasil na Copa do Mundo a menos de um ano dos Jogos Olímpicos do Rio.

- Foi a pior coisa que podia ter acontecido. Tenho dito isso faz tempo e as pessoas não têm dado importância para isso. A decisão foi via Federação Internacional, mas quem nos impediu de jogar no Japão foi a Sul-Americana. Foi a coisa mais fora de propósito do mundo. Por que a Itália vai jogar o Campeonato Europeu se já garantiu a vaga na Copa do Mundo? Por que os Estados Unidos disputaram a Copa do Mundo de 1995, uma vez que as Olimpíadas do ano seguinte foram em Atlanta? Obviamente que a razão que eles alegam não é correta, é porque somos nós. Mas ninguém fala isso, ninguém bateu que foi um absurdo tirar o Brasil da Copa do Mundo. Eu fico chateado com alguns companheiros, pois se eu tivesse na posição deles e suas seleções fossem prejudicadas assim eu ia falar. Mas não convém falar nada – lamentou Bernardinho

Serginho fala do momento da Seleção Masculina

Brasil x França Murilo finais Liga Mundial vôlei (Foto: Divulgação / FIVB)

Os dias vividos em julho, na eliminação da Liga Mundial ainda mexem com Serginho. A derrota para a França segue viva na memória, assim como a partida que determinou a eliminação do Brasil na Liga Mundial. Para complicar ainda mais o momento difícil, o líbero teve de deixar o hotel às pressas para ir ao encontro do filho, que havia sido internado em São Paulo com uma meningite viral. Estava mal pela seleção, estava mal herdeiro. Passado o susto, se recolheu por uma semana, retomou o fôlego e voltou aos trabalhos em Saquarema. Já sente uma mudança de postura no grupo, que está consciente de que precisará mudar a cabeça.

- Eu senti demais. Foi duro uma eliminação daquela. Querendo ou não sabemos que foi um pouco falta de competência nossa de não ter matado o jogo. Tanto é que contra os Estados Unidos a gente teve outra postura. Foi péssimo, mas alguma coisa temos que tirar de lição daquela derrota. Conversamos bastante, estamos fazendo muitas reuniões, sempre apontando algumas falhas para que possamos corrigir. Ninguém está satisfeito, todos estão buscando seu máximo a cada treino. A nossa cabeça precisa mudar e estamos fazendo isso. No terceiro set contra a França, sentimos alguma coisa, algum desânimo e isso não é normal num time que está acostumado a vencer e a lutar. É você enfrentar uma situação difícil de uma outra maneira. Às vezes, a coisa não dá certo e a gente tem que procurar maneiras para que dê. E naquele set, parece que fomos para o quarto já sabendo que íamos perder o jogo. Então, a gente vem trabalhando bastante isso aí em situações adversas dentro do treino, se cobrando. Esse é o caminho. Agora é treinar, fazer os amistosos bem, ir para o Sul-Americano e ir bem também - disse.

Serginho ressalta a necessidade de a equipe melhorar rapidamente no saque. Lembra que o passe, antes um dos pontos a serem corrigidos, já mostra mais equilíbrio. Acredita que se a seleção acertar a mão no fundamento, terá mais tranquilidade para passar pelos fortes adversários.

-  As pessoas acham que nós estacionamos, mas não creio nisso, não. As outras seleções evoluíram bastante. Ninguém diria que a Sérvia faria uma final da Liga Mundial. A França saiu de uma situação também, fez uma final. Não me surpreendeu. Tem um bolo de equipes onde qualquer uma pode ganhar. A chave para ganhar o ouro nos Jogos de 2016 vai ser a nossa atitude. Isso será fundamental. Mas eu falo que atitude sem saque, atitude sem passe, atitude sem bloqueio não vai dar. Vai ser bom reencontrar Estados Unidos e França nos amistosos. A gente tem que jogar, jogar, se preparar. Bernardo está tirando um pouco mais de cada jogador. Isso é dele. Quando a gente perde, eu vou para o meu quarto e sei onde falhei, Bernardo foi para o dele e sabe onde ele falhou. E está trabalhando nisso também. Nós agora temos a fome que sempre tivemos com algo mais. Com orgulho meio ferido. De saber que poderíamos ter feito muito mais.

Serginho: "Essa vitória foi do fundo da alma"

Serginho e Evandro se abraçam no jogo contra os Estados Unidos (Foto: Divulgação/FIVB)

Bernardinho pediu tempo, e Serginho logo tomou a palavra. O líbero deu a bronca, pediu para o ataque brasileiro virar a bola. As palavras ríspidas do jogador de 39 anos ajudaram a inflamar o time do Brasil, que conseguiu a virada em um complicado terceiro set e depois a vitória por 3 a 1 diante dos Estados Unidos - parciais de 28/26, 22/25, 25/22 e 27/25. Após uma derrota contra a França, o Brasil superou a pressão e se manteve vivo na fase final da Liga Mundial, disputada no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Um triunfo que Serginho atribuiu à dedicação da equipe.

- Essa vitória foi do fundo da alma. Já havíamos discutido no hotel que íamos brigar se alguém esmorecesse dentro da partida, tanto é que a gente brigou em quadra, lutamos até o fim. O terceiro set foi vencido na dedicação, na alma mesmo. Sempre quero que seja um pouquinho mais fácil, mas tudo é muito difícil - disse Serginho.

Por causa da derrota por 3 sets a 1 contra a França, o Brasil entrou em quadra precisando de uma vitória de três pontos (por 3 sets a 0 ou 3 a 1). Uma situação semelhante ao do Mundial de 2014, quando o time de Bernardinho perdeu para a Polônia no primeiro jogo da terceira fase, mas se recuperou com um 3 a 0 sobre a Rússia. Desta vez, porém, pesou também a pressão de ser anfitrião do evento-teste para as Olimpíadas de 2016.

- Foi positiva (a pressão), porque tínhamos que fazer os três pontos. Tivemos algumas oportunidades de crescer no terceiro set contra a França e fazer um 3 a 1, mas não aproveitamos. Essa equipe está acostumada a jogar sob pressão. Agora é descansar, porque esse jogo foi tirado do fundo da alma - disse Serginho.

Serginho critica base do vôlei brasileiro: "Demos passos para trás"

Campeão mundial e olímpico com a seleção brasileira de vôlei, o líbero Serginho "Escadinha", de 38 anos, demonstrou preocupação com o futuro da modalidade no Brasil. O jogador do Sesi-SP esteve em Santos para disputa da Copa São Paulo, da qual foi vice-campeão - o Campinas ficou com o título.

Após Bernardinho, técnico da seleção brasileira, ter criticado a falta de planejamento na busca de novos talentos para o vôlei nacional, Serginho, que integrou a geração mais vitoriosa da Seleção, falou sobre a falta de projetos para "garimpo" de promessas no país.

Serginho Escadinha (Foto: Antonio Marcos)

Demos uns três passos para trás e precisamos voltar a trabalhar sério com esses jovens, mostrando a eles a importância de uma seleção brasileira"
Serginho

 - Temos material humano, mas não estamos sabendo aproveitar. Além da boa estatura e força física, o brasileiro tem talento e muita habilidade. Durante alguns anos conseguimos nos manter no topo das seleções principais e de base, no masculino e feminino, mas a realidade atual é bastante diferente. Demos uns três passos para trás e precisamos voltar a trabalhar sério com esses jovens, mostrando a eles a importância de uma seleção brasileira - disse.

Serginho destacou a estrutura de trabalho da Seleção, tanto para a base quanto para a equipe principal, mas disse que a maioria dos clubes não tem condições de manter este nível de excelência em todo o Brasil.

- Nós temos uma ótima estrutura para a Seleção em Saquarema, mas apenas três ou quatro clubes conseguem nivelar esta estrutura no país. É muito pouco. Podemos formar boas seleções, mas estamos bastante atrás dos Estados Unidos, por exemplo, quando o assunto é "garimpar" novos atletas. Sabemos que há bons jogadores no Pará, no Amazonas, mas não conseguimos dar sequência a essas carreiras - afirmou.

Serginho abordou também sobre a responsabilidade da nova "safra" da Seleção após o legado de títulos deixado pelos campeões mundiais e olímpicos. Ele disse que a cobrança não pode ser feita com base na comparação dos times e se mostrou esperançoso com o desempenho da equipe nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016

- É engraçado falar, mas essa geração em que joguei, com Giba, Nalbert, Giovanni, Mauricio, Ricardinho, Gustavo, André Nascimento, entre outros, deixou o torcedor mal acostumado. Penso que temos um bom time e tenho total convicção de que a Seleção vai conquistar o ouro em 2016. É claro que não vai conseguir o que a geração passada obteve, porque nós conquistamos muitos títulos em sequência e passamos o "carro" em cima de todo mundo. É muito difícil manter um time no topo vencendo vários torneios durante muito tempo - disse Serginho, que falou também sobre Mario Junior, seu sucessor na Seleção.

- Por ser o reserva imediato durante muito tempo, o Mario Junior entrou na equipe naturalmente. Mas precisamos trabalhar outros jovens na função, porque o Mario tem 32 anos. Temos o Felipe, que vem sendo convocado, o próprio Tales, que joga conosco no Sesi-SP e outros que precisam ser observados e colocados para jogar. Quando estava na Seleção, o Mario acompanhou toda minha evolução e agora é a vez de alguém ser lapidado acompanhando os jogos dele - concluiu.

Brasil vence Itália e vai à fase final da Liga Mundial


As semifinais da Copa do Mundo, com Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda, mostram que a camisa tem grande peso no futebol. No vôlei, não é diferente. Prova disso é que a seleção brasileira masculina fez valer sua tradição e, com uma evolução impressionante nas últimas três partidas, conseguiu uma improvável classificação à fase final da Liga Mundial. Neste domingo, o time de Bernardinho fez exatamente o que precisava: venceu a Itália por 3 sets a 1 em Milão, com parciais de 27/25, 18/25, 25/17 e 25/16.

A classificação, que parecia impossível há duas semanas, veio porque o Brasil conseguiu resultados improváveis nas suas últimas três partidas. No dia 22, fez 3 sets a 0 na segunda partida da rodada contra a Polônia, fora de casa. Depois, venceu a Itália duas vezes por 3 a 1, primeiro na quinta, em Bolonha, e agora em Milão.

Além disso, foi fundamental a ajuda do Irã. Surpresa dessa Liga Mundial, os iranianos venceram os dois jogos atrasados da segunda rodada contra a Polônia, em casa, na semana passada. Assim, deixaram o Brasil ainda vivo para os jogos na Itália.

A classificação para a fase final só veio, porém, porque a Itália estava no grupo. A fase final da Liga Mundial, que começa dia 16, será em Florença. Como dona da casa, a Itália jogou a primeira fase como "café com leite". Ficando em primeiro ou em último do Grupo A, estaria entre os seis da fase final de qualquer forma.

Por causa disso, classificaram-se os três primeiros do Grupo A: Irã e Itália, empatados com 19 pontos, e o Brasil, com 17. Os poloneses também somaram 17 pontos depois de vencer os dois jogos em casa contra o Irã, sexta e sábado, mas ficaram atrás nos sets average, que é a divisão do número de sets vencidos pelos perdidos. O Brasil conseguiu um 23/24 enquanto a Polônia ficou com 21/23.

Mas, no vôlei, a vitória por 3 sets a 2 vale apenas dois pontos (o vencedor fica com um). Por isso, o Brasil precisava não apenas vencer em Milão, como não poderia entregar dois sets. A equipe brasileira sofreu na primeira parcial, mas venceu apertado, por 27/25. No segundo, não conseguiu marcar o ótimo Zaytsev e perdeu por 25/18.

Assim, passou a precisar obrigatoriamente vencer os dois sets seguintes. No terceiro, com o levantador Bruno muito bem na distribuição, fez 25/17. Depois, ainda pressionado, o time brasileiro confiou em Lucarelli e foi recompensado. Marcando bem Zaytsev e sacando forte, tirando o passe das mãos de Travica, o Brasil fez 25/16 para garantir classificação para a fase final.

O resultado também é uma ducha de água fria para os italianos, que não tiveram nenhuma vergonha de poupar os titulares na Polônia e no Irã, perdendo os quatro jogos fora de casa pelas quarta e quinta rodadas. Queriam, assim, tirar o Brasil da competição e devolver o corpo mole brasileiro do Mundial de 2010. Só que a Itália chegou à última rodada, neste fim de semana, sem ritmo de jogo. Afinal, desde 8 de junho a equipe não atuava com força máxima.